domingo, 25 de setembro de 2011

Vão querer resolver o problema das drogas com conversa fiada...

Quase tudo o que vem sendo feito no Brasil para enfrentar o problema das drogas entre os jovens, não resulta em grandes coisas porque as pessoas acham que podem resolver a coisa com criação de conselho, câmara e tome blá, blá, blá e a coisa quase sempre não passa disso... Sexta feira passada o prefeito Paulo Martins sancionou lei criando algo assim... Na ocasião, o promotor Claudio Bastos disse algo que eu não diria; comecei a ler o que ele disse e esperei que ao invés de ele dizer que o enfrentamento às drogas requer “Uma boa formação é tudo e para isso é preciso ter uma boa base e a família é a base”, ele dissesse que os jovens são iniciados nas drogas pelas famílias, principalmente nas bens estruturados. Pirei? Enlouqueci? Nem tanto, mas esse discurso do promotor, homem de extraordinário valor e maravilhosas intenções, não leva a nada, porque é incapaz de sair de discurso para ações efetivas. Aliás, para fazer justiça, tanto o vereador que apresentou o projeto, Francisco Rademarques, quanto seus companheiros de Câmara dos Vereadores, quanto o prefeito Paulo Martins que sancionou o projeto, só conseguem dizer coisas que como retórica são o melhor que se poderia dizer, mas a coisa não passa disso por uma razão muito simples: o problema de drogas requer que se entenda que:
1)      Não é questão simples como aparenta ser;
2)      Requer ações coordenadas que passam pela escola e pelo sistema de saúde pública;
3)      As pessoas se drogam desde que o mundo é mundo;
4)      As pessoas se drogam porque sentem prazer em se drogar;
5)      Não é fácil convencê-las de que se drogando estão se auto-destruindo;
6)       A sociedade vai perder essa batalha porque a droga termina sendo uma “necessidade” social;
7)      Separar drogas entre legais ou ilegais, letais ou não letais, que criam dependência ou não, é por onde começam os equívocos sobre drogas;
8)      O pior jeito de se tratar a questão das drogas é as demonizando ou demonizando os drogados;
9)      Ações preventivas que não passam pela conscientização de toda a sociedade, ou seja escola, saúde pública, segurança, cultura e lazer, como ferramentas dessas ações, são como risco n’água;
10)   Minha experiência de vida com relação a drogas e drogados me diz uma coisa aparentemente simples, mas na qual eu acredito cegamente: só tem um jeito de se “combater” as drogas: o conhecimento, ou seja ensinar as pessoas sobre elas e o mundo, principalmente através da arte; detalhe: não acredito que se deva deixar de usar drogas para “se livrar” delas...


Agora já dá pra começar a conversar sobre drogas...

Um comentário:

  1. Provoquei? Claro, mas não tenho muitas ilusões de que aparecerão os interlocutores para esquentar a discussão...Quando muito vão dizer ou pensar que eu "defendo" o uso de drogas ou coisa do tipo... O problema é que as pessoas quando começam a discutir sobre drogas se acham na obrigação de "resolver" o problema... Se baixassem a bola um pouquinho talvez conseguissem mais, mas como a tônica dessas políticas públicas são retóricas sem ações efetivas que as consubistanciem, fica tudo ou quase tudo no ora vejas... Estou menosprezando ou desqualificando a competência das "autoridades" que comporão a Câmara de Combate criada pela lei? Quem sou eu? Mas que eu vou cobrar o que chamo de "ações efetivas" dessas pessoas, não tenham a menor dúvidas...

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