Pode-se dizer, simplificadamente e até jocosamente, que no Brasil os ricos se drogam porque são ricos, os pobres porque são pobres e os de classe média porque são de classe media...Simplifico demais? Pois bem, independente da circunstância sócio-econômica do brasileiro, por que as pessoas se drogam? Se drogam porque querem sentir prazer com isso e no fundo, por essa sensação de prazer que a droga propicia, se sentirem capazes de gozar de alguns momentos em que são bonitos, ricos, felizes e capazes de fazer coisas que no estado de consciência normal, não fariam. Continuo simplificando demais? Bom, não é preciso ser gênio para perceber o quanto as drogas estão na raiz das nossas relações sociais, cotidianas, normais, de todo dia e o quanto elas são importantes para nos sentirmos capazes de sermos felizes nos nossos relacionamentos, seja amizade, namoro, afeto, paixão, o que for. Dito isto volto à colocação inicial, da relação de qualquer um com a droga em função de se ser rico, pobre ou classe média, por conta de identificarmos nossa personalidade em função do que temos ou deixamos de ter... Maconha e crack no Brasil de hoje é droga ilegal de classe média e pobre, cocaína de classe média alta e alta, em função de se ter ou não dinheiro pra se consumir uma ou outra droga ilegal . A questão do crack fica dramática porque envolve um número cada vez maior de pessoas de classes C e D, porque é barata e dá mais prazer do que a maconha. Tenho visto na televisão, matérias onde se discute o problema do crack, principalmente nas TVs. Câmara e Senado, com pessoas falando coisa com coisa sobre. Deputados e senadores e pessoas outras que vão lá se manifestar em audiências públicas. Fiquei sabendo que os números de dependentes da ONU são maiores do que os do governo brasileiro. 900 mil os da ONU, 600 mil os do Brasil. Alarmante, mas tem propostas interessantes para se tentar resolver a questão, passando pelo controle do tráfico, políticas públicas de prevenção através de expansão da rede de ensino público de tempo integral, profissionalizantes de preferência, programas de recuperação de dependentes. Tenho a impressão de que a sociedade começa a se dar conta de que o crack representa uma ameaça para todos e que se não se tomar medidas realmente sérias e responsáveis para enfrentar a questão, o bicho pega mesmo. Mas eu continuo achando que na verdade o problema de drogas tem a ver com o que eu quero fazer da minha vida, de tal maneira que eu possa suportá-la, sendo pobre, classe média ou rico, sem precisar de me drogar por isso, porque droga pra mim é sinônimo de como eu me relaciono com valores que dão sentido ou não a minha vida. Um drogado, viciado, dependente é uma pessoa que perdeu a capacidade de ter referenciais que lhe possam dar sentido a sua vida. No fundo essas pessoas chegam ao ponto de achar que não vale a pena viver sem amar, respeitar, ser solidário e responsável por algo mais que sobreviver como indivíduo, e a autodestruição pelas drogas é o passo seguinte a essa constatação, tenham elas consciência disso ou não. Temos normalmente uma atitude de intolerância e incompreensão com essas pessoas, esquecidos de que elas já se condenaram com as próprias mãos, pela forma como se relacionam com as drogas, fazendo suas pobres vidas se darem em função de as consumirem. Por mais indifererentes que possamos ser com isso, é bom começarmos a pensar que temos responsabilidades com o problema e ficar simplesmente apontando essas pessoas como novos "leprosos" talvez não seja a postura mais correta.

VERDADE
ResponderExcluirDISCORDO, POIS SOU CO-DEPENDENTE , LUTEI MUITO MAS CONSEGUIR FAZER COM QUE A PESSOA QUE AJUDEI VOLTASSE A SE LEVANTAR E MELHOR ENTENDER QUE VALE A PENA VIVER, RECOMEÇAR E CRER SEMPRE QUE TEM ALGUEM QUE INDEPENDENTE DE QUALQUER COISA , O AMA MUITO
ExcluirDEUS!!!!!!!!!!!!!!