sexta-feira, 3 de maio de 2013

Entrevista com o Dr. Cezario...




Fiz dez perguntas ao Dr. Cezario Cavalcante semana passada, ontem recebi dele as respostas abaixo...

ZAN - Dr.Cezario, por que, a seu juízo,  a sua atuação na defesa da qualidade do ensino nas escolas públicas municipais está provocando tanta celeuma?
Dr. Cezario -  Celeuma quer dizer barulho ou algazarra. Pois bem. Ao longo destes quase dezessete anos como Promotor de Justiça, pude perceber que a atuação do Ministério Público nunca causa indiferença. Ou as pessoas aprovam ou desaprovam.  No caso da ação ministerial em combate à corrupção na administração pública, a população em regra fica dividida.  Uns acham que ação é correta doa em quem doer; a outra parte, talvez defendendo cegamente seus benefícios pessoais ou o seu lado político, passa a tentar partidarizar o trabalho fiscalizatório dos promotores de justiça, com a finalidade de enfraquecê-la ou desmoralizá-la.  Todavia, quando o Ministério Público atua no combate às omissões das políticas públicas dos gestores, como por exemplo, a falta do regular abastecimento de água ou de energia, ou em casos de inadequação do transporte escolar ou falta de merenda nas escolas,  a ação do promotor é bem vista e recebe quase a unanimidade da aprovação popular.
Vale ressaltar que a SEMEC não vê com bons olhos  minhas visitas às escolas municipais, notadamente às nucleadas, que foram fechadas  sob o argumento de que seriam eliminadas as classes multisseriadas. Ocorre que eu constatei que a situação piorou e muito:  nas escolas-pólos existem classes multisseriadas  com muito mais alunos. Salvo na escola da localidade Água Fria, onde inexiste classe multisseriada.
Há de se ressaltar que foi firmado um TAC contendo uma cláusula em que o município se comprometeu  ajustar o número de alunos  numa sala de aula de acordo com o previsto no edital de matrícula do ano letivo em curso. 
Recomendo que o caro bloguista  leia as  RESOLUÇÃO do MEC Nº 02, de abril de 2008 (trata da EDUCAÇÃO NO CAMPO)  e a Resolução do MEC nº 05, de 17/12/2009 (trata da EDUCAÇÃO INFANTIL).   
Acontece que a SEMEC  não tem observado as referidas resoluções e fica irresignada com minha atuação,  em que  pleiteio sejam reabertas as escolas nucleadas, pois criancinhas com idade entre 3 e 6 anos de idade estão se acordando por volta das 5:00 hs (cinco horas da madrugada) para serem conduzidas para as famigeradas escolas-pólos.
Pois é, não é somente isso não, ZAN.
A SEMEC retirou das escolas fechadas/nucleadas: carteiras, ventiladores, armários, computadores... E agora, onde irão estudar os alunos do EJA, do Programa Brasil Alfabetizado...?
Tem mais ainda: Em seu primeiro mandato o atual prefeito reformou quase todas as escolas fechadas/nucleadas: numas foram construídos banheiros; noutra, perfurou um poço tubular; noutra,  implantou sala de informática; numa mudou o telhado...
 ZAN, tenho comigo a situação em que se encontram: 1) as escolas nucleadas (quase todas reformadas no primeiro mandato do atual prefeito) e agora  as comunidades  não entendem por que foram lacradas; 2) as escolas não-nucleadas e 3) as escolas-pólos.
ZAN - Como o Ministério Público reage à insinuação de que estaria tratando o prefeito Paulo Martins dum jeito que não tratou o ex-prefeito João Félix?
Cezario -  Esta resposta não pode e não deve ser sucinta.  Vamos a ela. Um promotor gaúcho, LAURO PEREIRA GUIMARÃES, disse certa vez que “Há duas espécies de pessoas que combatem o Ministério Público: - os ignorantes, porque não o conhecem; os criminosos, porque o conhecem bem”. 
Entendo que as insinuações quanto a nossa atuação face a atual administração de Campo Maior são fruto do desconhecimento da realidade em que vivia o Ministério Público na cidade até pouco tempo.  Não tínhamos estagiários e servidores, como temos hoje. Nenhum veículo. A situação era tão grave (e as pessoas não sabiam) que havia revezamentos para utilização de sala e de computador.  A nossa sede era totalmente inadequada para receber os cidadãos.  Até outubro de 2012, éramos apenas dois promotores de justiça em Campo Maior.  Eu atuando  na 2ª Promotoria de Justiça,  na área cível (nos processos de família, infância e juventude, cível em geral, registros públicos etc) junto aos três juízos de direito de Campo Maior, em audiências diárias e tendo que me manifestar numa infinidade de processos.  Já o  valoroso colega CLÁUDIO BASTOS, titular da 1ª. Promotoria de Justiça , que atuava em toda a área criminal (roubos, furtos, homicídios, estupros, estelionatos, violência doméstica, crimes de trânsito etc.), ou seja, junto aos processos penais da 1ª. Vara, da 2ª. Vara e do Juizado Especial Criminal, acumulando ainda a 3ª. Promotoria de Justiça.
Vale esclarecer que esta terceira promotoria tem diversas atribuições, dentre as quais a atuação no combate à corrupção nas prefeituras.  Todavia, o Dr. CLÁUDIO BASTOS tinha que se dividir em audiências criminais perante aqueles juízos de segunda a sexta-feira e, paralelamente, atuar enfrentando os desmandos das Prefeituras locais, que infelizmente, continuam.
Em outubro de 2012, quando da chegada do promotor Dr. LUCIANO RAMOS, da 4ª Promotoria de Justiça, eu passei a ser o responsável pela terceira promotoria. 
Na época, antes que o sindicato dos servidores noticiar o atraso no pagamento dos salários, o colega CLÁUDIO BASTOS já havia ajuizado AÇÃO CIVIL PÚBLICA para o pagamento em dia dos salários de servidores públicos de Campo Maior.  Infelizmente, o Poder Judiciário não respondeu adequadamente à demanda.  Depois, como eu já atuava na área cível, então  assumi a 3ª. Promotoria de Justiça, e naquele período eu fiz  requerimento à Presidência do Tribunal de Contas do Estado pedindo a liberação dos recursos bloqueados por aquela instituição para pagamento dos servidores e crédito nas contas de cada um, mas também não obtivemos êxito.
Por outro lado, as outras instituições de controle daquela administração não acolheram devidamente as nossas providências, as nossas recomendações.
Ressalta-se que tudo foi dado conhecimento ao Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Maior.  Deu no que deu.
 Agora, uma coisa, eu garanto, ZAN: O Ministério Público tentou cumprir o seu papel, apesar de todas as dificuldades materiais e de pessoal.

A íntegra da entrevista estará na edição número três do jornal Surubim News

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