Meu avô Francisco Lopes Duarte, falecido na década de 60 com
mais de 80 anos, dizia pra quem lhe ouvia
enquanto vivo foi:”Coisa fácil demais não presta, termina que a gente
não valoriza...” Eu tou me lembrando disso aqui porque volta e meia a imagem dele,
de meu avô, aparece aqui na minha mente, era um
velhinho que só andava vestido de paletó e gravata, pelo menos era assim
que ele aparecia de vez em quando por aqui vindo de sua terra natal, Batalha,
um colete por baixo, sapatos sem cadarços (foi dele que herdei a mania de não gostar de sapatos
com cadarço, tudo bem, quem me conhece acha mesmo que é preguiça, mas deixa pra
lá...) feitos sob medida, uma bengalinha, um chapeuzinho na cabeça, magrinho,
espigadinho, espirituoso, fumando um cigarrinho de palha, sério, custa me crer
nas histórias que ouvia dizerem dele que quando mais novo era mulherengo e
tinha um fraco especial por viúvas, acreditem... Lenda ou não, aqui na cidade
tenho parentes que seriam conseqüência de peraltices dele nos distantes anos 20
ou 10 do século passado. Mas é isso, meu avô tem toda a razão, como sempre têm
razão os velhos com suas experiências e vivências. A gente tinha aqui uma
eleição praticamente ganha antes mesmo de acontecer...De repente a coisa virou
essa confusão toda aí, mas a conseqüência de que eu cada dia me convenço,
disso, é que quem tava meio acomodado, se tocou que tem que ir pra rua e isso
está dando um colorido novo à mobilização que tomou conta da cidade, porque nós
não merecemos mais voltar aos tempos em que as coisas eram todas feitas para
meia dúzia de pessoas que ainda hoje têm a cara de pau de se arvorarem em
paladinos da honestidade e, pra variar, chamando todo mundo de ladrão... Aí,
meu amigo, o jeito é se mexer mesmo
porque senão um dia chegam na tua casa e levam o que tu tem e ainda te chamam
de otário...A foto que ilustra a matéria é do escritor Euclides da Cunha, que
eu acho parecidíssimo com meu avô, que era mais ou menos um pouco mais alto, o
bigode sem as pontas, é só embranquecer um pouco cabelo e bigode, que fica igual a meu avô...

E tem aquela assertiva que diz: não há um mal que não venha para para o bem. E neste meio termo algumas pessoas me fizeram mais ou menos a mesma observação, de que alguns dos auxiliares do ex-prefeito o poder havia subido às suas cabeças trazendo-lhes por conta disso arrogancia e até mesmo desprezo para com os mais humildes. O poder é bom que se diga é efêmero, passa rápido como um raio de luz.E que esta tormenta, esta luta para a reconquista de algo perdido, da noite para o amanhecer do dia seguinte, sirva de lição àqueles que equivocadamente pensaram que o poder é eterno. Poder eterno só o poder de Deus. No mais é como dizia o velho Karl Marx, tudo que é sólido se desmancha no ar.
ResponderExcluir"Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou desaparecemos" ...(Euclides da Cunha)
ResponderExcluirEu percebia isso também, anônimo, mas sabe como é que é o ser humano... o cara sabe que tudo é muito fulgaz, volátil e impermanente, mas vive aquilo como se fosse eterno... humano, profundamente humano...quando essas pessoas voltarem ao poder, elas voltam com a mesma cara de desprezo pelos outros, mas por ora a gente goza o mórbido prazer de olhar pra elas e dizer pra nós mesmos:"baixou a bola, né, mané?"
ResponderExcluirZan,fale um pouco da greve dos funcionários federais,se fosse de outro governo o GRANDE ZAN, já teria medido o pau................
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