Por HELENA MADER
Aumenta abismo social apesar de estar em queda no Brasil, estudo do Ipea revela crescimento da desigualdade entre ricos e pobres no Distrito Federal.
Para o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro, o aumento da desigualdade no DF é uma “péssima notícia”. Ele explica que a cidade registra uma das maiores taxas do país, ao lado do Acre, de Alagoas e da Paraíba — estados com renda per capita muito inferior à brasiliense. “De 2005 para cá, esse índice cresceu. Isso tem relação com a política de aumento salarial do setor público, que não se repete com o restante da população”, justifica o especialista. “Enquanto a desigualdade está caindo no Brasil, no Distrito Federal, a proporção nunca esteve abaixo de 0,6. Em Brasília, há uma desigualdade da opulência”, acrescenta Jorge Abrahão. O Índice de Gini, que mede a diferença, é usado desde 1912. Quanto mais próximo de 1, mais desigual é a sociedade. Na média brasileira, o índice é 0,54 e, no Centro-Oeste, 0,55 — ambos mais baixos que no DF.
A renda domiciliar per capita no Distrito Federal subiu de R$ 939 para R$ 1.362 na última década. Esse crescimento de 41% contribuiu para o aumento da diferença entre a renda local e a média brasileira. No país, a renda domiciliar per capita média saltou de R$ 511 para R$ 631, o que representa aumento de 23% em 10 anos.
O pedreiro Milton de Souza Porto, 41 anos, diverge da média salarial de Brasília. Ele vive em um barraco de madeirite, na região do Sol Nascente, em Ceilândia, considerada a segunda maior favela do Brasil. Sem emprego fixo, ele ganha de R$ 300 a R$ 400 por mês e a sua residência improvisada não conta sequer com fogão. Enquanto ele falava com a reportagem, os vizinhos cozinhavam em uma chama improvisada sobre tijolos. O cheiro forte de fumaça era desviado diretamente para os barracos. “Faço o que posso para me virar, mas a vida é difícil. Conseguir emprego com carteira assinada é complicado, então, me viro fazendo bicos de pedreiro quando encontro oportunidade”, comentou Milton.
Entorno
Os dados de desigualdade do Distrito Federal poderiam ser ainda piores, se levassem em consideração a população do Entorno. Apesar de a população dos municípios goianos vizinhos ao DF depender social e economicamente da capital, as informações dessas comunidades não são computadas aos levantamentos locais. “O Entorno não entra nas estatísticas por uma questão política, mas, economicamente, há uma influência muito grande”, garante o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão.
Meus últimos dez anos de Brasília me mostraram a verdadeira face daquele microscópico do Brasil,com o agravante de que uma hora eu andava pelas entranhas do Congresso, pelos porões do Conic e à noite dividia um ônibus lotado para ir pernoitar na chácara de um amigo no Jardim Morumbi, em Planaltina DF, a alguns quilômetros de Brasilinha. Meus altos e baixo desses tempos uma hora me faziam morar num apto. da SQS 211, dividindo elevador com diplomatas ou me escondendo numa cabeça de porco na distante São Sebastião. Isso entremeado por temporadas em muquifos na Vila Planalto, de eu ia a pé até à Esplanada. Pra mim essas experiências significaram que existia um paraiso na terra que se chamava Piauí e que já passava da hora de voltar. Ainda não me arrependi... Nas convivências com o basfond do Conic levei uma surra dum maluco e me vi, nas idas noturnas pra Planaltina, na mira de um garotão num ônibus pra Brasilinha, com um tresoitão apontado pra minha bela cabeça branca me pedindo o que eu levava comigo, parcos carminguás, um celular de 50 reais e cartões de contas com meros centavos, além de documentos que só aqui consegui tirar segunda via...
ResponderExcluir...microscópico que eu disse no comentário anterior é MICROSCÓPIO... desculpem o descuido...
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