domingo, 2 de outubro de 2011

O BARULHO DOS SURDOS MUDOS

Tenho um amigo de infância que mora por aqui por perto, que é mudo, morou muitos anos no Rio de Janeiro, onde se alfabetizou e deve ter feito até o segundo grau. O nome dele é Antonio, mas pra mim será sempre o "Mudinho". Era filho adotivo de um cidadão chamado Raimundo Fenelon, que morava ali na av. Vicente Pacheco e consertava aparelhos eletrônicos, rádio, radiola, etc. Cruzo diariamente com ele, tento me comunicar com ele mas a coisa não rola porque se eu já não me comunico muito bem com o resto da humanidade falando, imagine tentando falar por gestos com as mãos. Entrei por acaso ontem de manhã na Câmara Municipal, pra saber o que acontecia por ali. Chego e vejo que é um encontro sobre Libras, a linguagem de sinal adotado por surdo-mudos. Professores e deficicentes auditivos unidos, trocando idéias sobre como institucionalizar o ensino de Libras nas escolas públicas.

Um comentário:

  1. Nos últimos anos que morei em Brasília, eu morei na chácara de um amigo, que ficava ali pras bandas de Planaltina DF e Brasílinha. Eu voltava pra casa todo dia de carona com o cara, ex-colega de Banco do Brasil. Enquanto eu esperava dar a hora de ir pro local onde eu pegava a carona do cara, eu ficava no mesanino da rodoviária, ponto de encontro de surdos mudos, na altura de um self self. Ficava ali entre seis e sete da noite. Juntava uma fauna que tinha todo tipo de gente, principalmente gays de ambos os sexos, rolavam discussões acaloradissimas, tinha dia que ameaçava ter porrada. Era uma hora que eu ficava exercitando minha capacidade de entender aquela confusão de gestos e trejeitos de pessoas desesperadas para se comunicarem através de outra linguagem. Loucura.

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