Há uns quinze, vinte anos, mais ou menos, eu era confundido em Brasília, com o grande compositor, letrista, músico, Climério Ferreira, que eu conhecia desde 77, de ouvir as música, com o LP São Piauí, que ele dividia com seus irmãos Clôdo e Clésio, pela semelhança física, ao ponto de um dia, numa livraria, eu ter cruzado o olhar com ele e ele ter se espantado parece com a semelhança que tinha comigo, como quem dissesse “que cara parecido comigo?” Por timidez eu nunca me aproximei dele, mas fiquei amigo de conversar em boteco, de seu irmão Clésio, quando ele morou um tempo ali no comercial da 415 norte, coisa de sete, oito anos atrás. Agora o poeta Climério Ferreira me manda um poema e no e-mail elogia o blog dizendo: ZANZANDO NA REDE É PURA MARAVILHA!!. O poema é esse que divido com vocês
NADA HÁ DE TÃO PROFUNDO
A passarada saúda as manhãs
Às mesmas horas de todos os dias
Indiferentes às oscilações das almas
Executam a algazarra matutina
Com a pontualidade dos relógios
Entoando cantos ancestrais
Poderíamos extrair lição de tais afãs
De modo a minorar as agonias
Dessa ausência de horas mais calmas
Que povoa e alicerça nossa sina
Cheia de acontecimentos nada lógicos
E repleta das promessas mais banais?
Pára, olha, espia o mundo
Nada na vida felizmente é assim tão profundo
(Climério Ferreira)

Pra quem não acredita que eu já fui muito parecido fisicamente com o Climério, tenho uma foto por aí dessa época, que vou mostrar pra vocês a qualquer momento... é só eu achar por aqui...Com o tempo tanto eu como ele fomos ficando mais gordo ou menos magro com mais ou menos cabelo na cabeça e perdemos a semelhantes que tivemos uma época...mas nunca esqueço do dia em que fui saudado com a efusão característica, pelo falecido poeta Cassiano Nunes, descendo as escadarias da Sala Martins Pena, do Teatro Nacional...Cassiano fez a maior festa pra saudar seu amigo Climério Ferreira...eu fiquei meio paralisado de vergonha, desci a escadaria e abaçei o poeta e lhe disse ao ouvido que eu não era o Climério... Cassiano, sem perder o jeito engraçado de poeta, me disse, "mas você também é artista, se vê pela sua cara...os artistas são muito parecidos uns com os outros". Cassiano era talvez o mais conhecido poeta brasiliense, apesar de ter nascido em Santos, professor da Unb e figura quiridíssima na cidade.
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