sexta-feira, 9 de setembro de 2011

LEMBRANDO RAUL SEIXAS...

Raul Seixas no Phono 73
Acordo, ligo a televisão e vejo um clone do Raul Seixas, chamado Roberto Seixas, sendo entrevistado e tocando músicas do maluco beleza, num tributo a ele por 22 anos de sua morte. Volto no tempo e me lembro do ano de 1973, padecendo as agruras da solidão, do frio e da desumanidade da maior cidade do pais. No rádio tocava toda hora os versos “eu devia estar contente, porque tenho um emprego, sou o dito cidadão respeitável, ganho quatro mil cruzeiros por mês...” Eu era um dito cidadão respeitável, tinha um emprego e ganhava quase dois mil  cruzeiros por mês... Levado por amigos com quem trabalhava no Banco do Brasil, fui assistir a um show chamado Phono 73, no Anhembi, frio de lascar, pleno mês de junho. De repente entra no palco aquela figura magra incendiando e aumentando a temperatura, cantando rocks, baiões, ponto de umbanda, o diabo. Comprei o disco do show e anos a fio mostrava-o para os amigos dizendo:” tão ouvindo meu grito aí?” Não era possível distinguir meu grito e aplauso no meio de não sei quantas pessoas estavam no show, mas eu me divertia falando isso. Fui reencontrar Raul numa noite quente de Teresina, acho que seis anos depois, 77/78, teatro 4 de Setembro, Raul vinha do interior e o show marcado para as nove, foi começar lá pelas doze, chegou meio alto ao palco e tascou aqueles rocks de arrepiar, tocando até às duas ou três da madrugada... Memórias de Raul cada um de nós tem. Acho que foi o roqueiro brasileiro que conseguiu melhor fundir ritmo com letras inteligentes e tão óbvias que atingia todo público... Tem alguém aí que não entende os versos: “Eu prefiro ser, aquela metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”? Raul conseguiu ser brega e cult e por isso é gênio, para sempre...

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