Jorge Portugal
De Salvador (BA)
Os números do ENEM perpetuam o apartheid: dos 20 melhores colégios, 18 são particulares; o Colégio São Bento, do Rio, primeiro lugar mais uma vez, cobra mensalidade de R$ 2.140,00; mais de 70% das escolas avaliadas (maioria das redes estaduais) tiveram nota abaixo da média
Parece que é nossa sina reproduzirmos nas diversas áreas da nossa história social o binômio "Casa Grande e Senzala", consagrado por Gilberto Freire. Outrora, na distinção dos espaços ocupados por senhores e escravos; hoje, para assinalar as inaceitáveis desigualdades que se cristalizaram através dos séculos, mesmo que escravidão oficialmente não haja.
O que vemos, com os números acima expostos, é que a educação, instrumento por excelência de inclusão social, vem sendo, em nossa história perversa, exatamente o seu contrário: meio de exclusão, nicho de privilégios, campo sagrado de reprodução de um desequilíbrio absurdo de dois brasis que se afastam e se conhecem cada vez menos.
Na rede particular, escolas com estrutura invejável, turno integral de ensino, professores que dificilmente faltam às aulas, e, de resto, uma família com pais bem informados que investem incessantemente na formação dos filhos, com ensino complementar e, não raro, viagens ao exterior.
Na rede pública estadual, escolas em condições físicas precárias, professores que fazem da ausência uma regra, e muitas, muitas matérias que sequer têm professor para ensiná-las. Ademais, os pais, com formação inferior à dos filhos pouco podem fazer para ajudá-los e se recolhem ao lugar das sombras de sua pouca instrução, resignados e ainda agradecidos pelo fato de os filhos terem uma escola aonde ir.
O ensino brasileiro é a grande bomba social do país, disse muito bem Gilberto Dimenstein. Esse talvez seja o maior desafio de qualquer governo que ouse desenhar futuros. No segundo grau, pessoas em formação de 15, 17, 20 anos sonham com universidade, trabalho, vida melhor para os seus e possibilidade de fazer deste mundo um lugar melhor para todos.
E, todo ano, milhões desses jovens acordam no meio da "noite veloz" alarmados pelo despertador do real que lhes diz de modo insensível e seco: não existe futuro para você!
É isso que nos dizem os números do Enem.
Não desconheço o supremo esforço que este governo têm feito no sentido da inclusão de milhares de jovens: Prouni, ações afirmativas, cotas para alunos da rede pública, cursos profissionalizantes inaugurados em grande escala. Mas o abismo é grande e a velocidade, nossa maior inimiga.
Se é pela educação- e somente por ela - que poderemos ostentar a medalha de "país de primeiro mundo", então "cesse tudo que a musa antiga canta" e faça-se do ensino público de qualidade a prioridade "zero" deste país.
Do contrário, é entregar a um povo potencialmente capaz um caderno em branco, onde ele não saberá sequer registrar a história do seu próprio fracasso.
Jorge Portugal é educador, poeta e apresentador de TV. Idealizou e apresenta o programa "Tô Sabendo", da TV Brasil.
Fale com Jorge Portugal: jorgeportugal@terra.com.br
ou siga @jorgeportugal1 no Twitter.
Extraído do site Terramagazine
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Não se pode desconhecer que alguma coisa tem sido feita para que esse quadro pintado pelo articulista seja menos ruim do que ele acha... As distorções sociais frutos de seculares desigualdades se perpetuam e incomodam e é muito triste quando a gente se conforma com a "normalidade" delas, ou seja, achar que esse quadro que está aí é isso mesmo, não dá pra mudar, quando muito pode se corrigir alguma distorção mais grave... Se depois de oito anos mais quatro de um partido de esquerda no poder não tivermos avançados mais que já avançamos nas chamadas conquistas sociais históricas, pode ser decretada a falência do projeto da geração que um dia sonhou até com revolução pra mudar este país...
ResponderExcluirSr. Zan o cidadão ou cidadã abre o computador pra se informar de verdade (jornais e revistas nem no vazo sanitário) e dá de cara com Google americano tendo no lugar do logotipo uns bonecos que 99% dos jovens brasileiros nem sabe do que se trata. São estes infelizes donos do mundo querendo continuar sua colonização na face da terra o tempo todo. Do jeitinho que fizeram com esta geração de brasileiro, piauienses e campomaiorenses que aparecem por aqui enraivecidos porque o povo acordou, experimentou e viu que é bom ser tratado com dignidade. Será muito difícil a volta destes babões, capachos, servís, traidores voltarem ao poder num prazo de 50 anos. Acho que ainda é pouco. E quem diabos são estes bonecos na história da civilização e da cultura mundial? Bin Laden e Fidel Castro, Chavez, Taliban, Lamarca, Prestes, e todos que explodiram essa raça pelo mundo afora. Coitado dos soldados que se ferram e voltam pra casa deles mutilados doidos e assassinando crianças em escolas ou no meio da ruas todos pirados e abandonados. Todos eles sempre tiveram razões e motivos pra enfrentar estes bandidos que se dizem xerife do mundo.
ResponderExcluirPau neles porque as porcarias que esta gente aí lê não comenta que o mundo está num merdel danado e nós aqui escapando com esta raça torcendo pra que o Brasil se exploda junto com os canalhas que os pais, avôs, padres. bispos com honrosas exceções com dom Hélder Câmara, e militares paus mandados como estes nojentos que o povo acabou de derrotar.
Vivas a internet!
Vou já no outro aqui perto... kkkk