sexta-feira, 8 de julho de 2011

O CETICISMO E A DESCRENÇA NA CAPACIDADE DE MUDAR O MUNDO...


Mudar o mudo já andou na cabeça de uma geração. Essa geração que pensou em mudar o mundo, é a minha geração. O mundo do jeito que está, companheiros, está de fazer a gente pensar em desistir não de mudar ele, mas baixar um pouco a bola e se sentir feliz porque ainda acredita na possibilidade de minimamente, fazer alguma coisa para que ele, na pior das hipóteses, fique um pouquinho menos ruim... Vivo atualmente uma crise pessoal que está me deixando até fisicamente doente e incapaz de sair por aí caminhando a toa como costumo fazer, pra tentar me desestressar dos dramas pessoais que vivo e não consigo dar conta de resolver... Herdei essa coisa de acreditar, até como fuga dum cotidiano tedioso e sem graça, que podia/posso fazer alguma coisa para mudar alguma coisa ao meu redor... Mas, confessso, quando vejo na televisão as pessoas jogando recém-nascidos em lixeira, aí eu fico com vontade de desistir de viver, porque acho que o ser humano está perdendo a capacidade de se horrorizar com o que é capaz de fazer de ruim consigo mesmo e com os outros. Tem um livro que eu volta e meia releio, de um escritor russo chamado Fiodor Dostoievsk, um romance que mostra a história de uma família, a família Karamazov, que tem três irmãos e um pai como protagonistas da trama. O pai é um desgraçado que se embriaga e fica inconveniente e disputa uma mulher com um dos filhos, vindo a ser assassinado por ele por conta disso. O livro se chama “Irmãos Karamazov” e os outros dois irmãos são um intelectual chamado Ivan e um seminarista chamado Aliocha. Ivan diz a frase que eu considero a chave do que sintetiza a mensagem do livro:”Se não existe Deus, tudo é permitido...” No meu modo de ver não existe nada que caracterize a vida e as pessoas hoje mais do que isso. Pra maioria das pessoas hoje não existe Deus. As igrejas estão cheias de crentes, a mídia está repleta de gente falando em Deus; quem vê aquilo ali pode até se iludir que aquelas pessoas ali estão tentando enganar Deus com discursos e falatórios que só as faz se sentirem seguras porque são o “povo de Deus”, “abençoados” pelo Senhor, protegidos pela “unção da graça” e por aí vai... Essas pessoas às vezes se iludem de que melhorando suas vidas pessoais, conseguindo prosperidade material, isso tem algum  significado real em sua melhoria espiritual. Palavras são palavras e se fosse por elas o mundo seria o paraíso. O mundo vai de mal a pior mesmo, gente, é porque enquanto fala em Deus, a maioria de nós acende vela é pra Satanás mesmo, se comportando “cidadãmente” e “cristãmente” como se não tivesse nada a ver com a desgraça ao seu redor.   Tem jeito isso? Tem sim, porque um dia as desgraças do mundo batem a nossa porta, na forma de uma confusão em que a gente se mete porque simplesmente vive num inferno que uma hora alcança a gente por mais que a gente se defenda... JÁ PENSOU NO QUE PODE FAZER PARA QUE AS PESSOAS NÃO JOGUEM RECÉM NASCIDOS NAS LIXEIRAS OU SE DESTRUAM PELAS DROGAS OU POR SEXO IRRESPONSÁVEL? Pois é bom começar a pensar porque uma hora vai ser obrigado a fazer isso...

3 comentários:

  1. Ana Carolina - Est. UFPI8 de julho de 2011 às 11:27

    A igreja católica foi a primeira a jogar Deus na lixeira baseada em santos estátuas e que o santo padre era infalível. E justamente essa máfia de branco que começou a fazer as pessoas terem vergonha de dizer que acreditam em Deus. E depois vem os intelectuais e os cientistas que agora inventaram um brinquedo perigoso pra mostrar ao mundo que eles descobriram como Deus, se é que existe isso, fez o universo. Dizendo eles. São estes Deuses homens que até hoje nunca conseguiram passar da lua e ganham a vida matando seus semelhantes inventando e vendendo armas cada vez mais sofisticadas.
    Que homem que droga nenhuma seu Zan.

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  2. Tenho dificuldade de imaginar que os problemas humanos sejam resolvidos pelas religiões e igrejas, porque não acredito que elas possam fazê-los realmente se despirem da idéia de que podem ser felizes isoladamente. Da mesma forma tenho dificuldade de imaginar alguém se sentindo realmente feliz e realizado num mundo em que a maioria vive na mais negra miséria moral e material. Pessoalmente me sinto não propriamente realizado, mas menos culpado por não ser rico, feliz ou realizado com a vida que tenho, tão só porque hoje eu tive um dia em que consegui não maltratar ninguém, nem pensando ou falando mau de alguém, durante o dia todo e até conseguindo fazer alguém minimamente feliz por ter sido humano, cordial e tolerante e solidário com quem tive a oportunidade de me entreter humanamente... Tem hora que eu chego a acreditar até que posso vir a ser o que é o grande anseio de minha alma: me tornar santo... O sofrimento humano me dá esses ímpetos de tentar chegar a isso, por mais ridículo e estranho que isso possa ser... Santo que eu digo não é santo, de ser santificado e até reconhecido por alguma igreja como tal, mas santo de me sentir sensibilizado com o sofrimento humano e fazer coisas radicais para minimamente ser solidário com esse sofrimento...

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  3. José Miranda Filho8 de julho de 2011 às 20:53

    Não é nenhum pedantismo afirmar que fomos criados para a santificação. Este é o propósito do Criador desde a criação do universo, especialmente do homem. Propósito divino que se comprovou com a vinda do Messias ao planeta Terra. Temos o dever de alcançar - posso dizer que não a perfeição, por ser privilégio de poucos - no mínimo um estágio mais elevado do que nos encontrarmos. Francisco de Assis dizia a seus irmãos de ordem que se fora feito muito em determinado dia, ainda significara pouco, e que no dia seguinte eles haveriam de realizar muito mais. Porém, para a busca dessa qualidade espiritual, é imprescindível que, no lugar de esquadrinharmos as falhas dos outros, nos aprofudemos nas próprias falhas. É bom e justo que, como os homens heróis da história dos povos - e sabemos de tantos - são reconhecidos como tais, também sejam reconhecidos como tais os homens santos. Até mesmo para servir de exemplo, de estímulo a nós, que, vacilando muito, tropeçando aqui e ali, buscamos esse desiderato.

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