As lembranças mais antigas que eu tenho de política remontam
a minha infância nos anos 50, quando eu menino morando ali pela rua Senador
José Euzébio, ficava dentro de minha casa com minha família escutando o barulho
dos comícios da campanha para a eleição da prefeitura em 1950, eu só tinha três
ou quatro anos e naquele ano a política foi acirrada, quando tinha comícios nas
duas praças, a do relógio, hoje da prefeitura e a Rui Barbosa, depois dos
comícios tinham confrontos entre os adeptos das duas facções, a UDN e o PSD,
com um candidato que se tornou vitorioso nas urnas, o Dr. Santana, e o
candidato da chamada oligarquia comandada pelo então deputado federal, Sigefredo
Pacheco, havendo nesses confrontos troca de tiros e até morte. Lembro-me
perfeitamente do povo carregado o Dr. Santana nos ombros, como fez com Paulo Martins agora nas duas últimas
eleições. Eu e minha família éramos adeptos daquele jovem que ousava desafiar o
poder da oligarquia que dominava a
política local desde a ditadura de Vargas. Depois disso me lembro de ter torcido pela
candidatura do candidato Oscar Castelo Branco, que era xará do meu pai Oscar
Duarte e os filhos dele eram meus amigos de brincadeira ali pelo Laguna,
avenida Vicente Pacheco, apesar de o adversário dele ser de uma família amiga
do meu pai, o Sr. Agenor Melo, pai do César e do Agenorzinho, também meus
amigos... Em 1958, eu torci pelo candidato vencedor, o inesquecível José
Olímpio da Paz, uma pessoa extraordinária, que passava por mim na rua e me
chamava de Pinuca, com aquele indefectível cigarro na boca, apesar de o seu
adversário ser o Sr. Ivon Pacheco, amigo pessoal de meu pai desde quando ele
chegou por aqui nos anos 20, vindo da Batalha pra trabalhar com o Sr. Chico
Alves... Em 1962, eu, apesar de ainda estar morado com a família em Recife, de
lá torci pelo candidato João de Deus Torres, que terminou ganhando novamente
contra Agenor Melo... Voltando pra cá em 66, ajudei com meu voto a eleger o meu
grande amigo e benfeitor professor Raimundo Nonato Andrade, uma pessoa duma
integridade e de uma capacidade de trabalho que ainda hoje é lembrando por
todos que o conheceram, ajudei com meu voto a eleger seu candidato o Sr. Jaime
da Paz, outra pessoa admirável que ainda está por aí... Na eleição do Dr. Dácio
Bona eu não estava aqui... Em 1974, ajudei a eleger com meu voto o grande
ZéOlímpio da Paz, que morreu meses depois, deixando o povo com uma frustração
que se prolongou até o final dos anos 70, com a não muito feliz administração do seu vice-prefeito Mamede
Lima. Daí por diante começou o ciclo de prefeitos que eu chamo de Bad Boys, ou
seja, um pessoal muito novo e imaturo, do ponto de vista emocional e moral,
responsáveis alguns por administrações um tanto quanto desastrosas que ninguém
relembra com satisfação, alguns deles meus amigos de infância como Cesar Melo e
Carbureto, outros que eu vi crescer como Antonio Lustosa, Marco Bona e João
Félix... Um dia eu pretendo entrar nas entranhas dessas personalidades e dessas
administrações para escrever se possível o meu trabalho de encerramento do
curso de licenciatura em história que as duras penas venho tentando fazer na
Uespi local...
Quando eu volto pra cá em 2009, encontro uma cena política
radicalizada pela disputa da última eleição em 2008, quando João Félix
venceu Paulo Martins pela segunda vez.
Volto e sou acolhido pelos antigos companheiros do Partido dos Trabalhadores,
principalmente por Luis Eduvirges, que junto com outras pessoas como o falecido
Gregório Medeiros e Luis Edite, fundamos o PT local, entre outros, que me apresenta aos companheiros
mais novos que durante o tempo em que estive fora daqui morando em Brasília, fizeram o partido se tornar a segunda força política da cidade, Raimundo
Pereira, Paulo Martins, César Robério, Arnaldo Piricó, professor Paulo Pelé,
Edilson da Vagem, Fernando Miranda e professor Ribinha, entre outros. Sou bem acolhido por
essa gente, me dão emprego e me abrem as portas para me reinserir na política
local, dando a minha contribuição com os blogs que venho fazendo, ajudando a
eleger Paulo Martins três vezes, uma a deputado estadual e duas a prefeito...
Este ano, veio o desencanto com o PT e Paulo Martins, não só
porque não fui lembrado ou contemplado com alguma função na administração
municipal, se eu for dizer que isso não contribuiu pra esse desencanto, estou
mentindo, comecei a ver em função disso, tudo que essa gente faz com os olhos
de quem não tem mais compromisso de ajudar ou retribuir o que tenham feito ou
deixado de fazer por mim, isso porque comecei a me dar conta que que tal famosa
“mosca azul” do poder, que frei Betto
tão bem descreve no seu livro, Frei Betto foi outro cara que se desencantou com os “companheiros”
que empolgaram demais com o poder e por isso mesmo caiu fora dois anos depois
de trabalhar como Aspone no Palácio do
Planalto junto ao seu amigo Lula, me dei conta de que a tal mosca azul havia picado a maioria dos
companheiros...
Aqui quando reassumiu a prefeitura Paulo Martins herdou
muitos problemas deixados por seu antecessor, mas talvez a sua imaturidade
psicológica, somada ao péssimo defeito de não saber ouvir críticas nem discordâncias,
somada ao fato de ter em sua assessoria pessoas que ou são incompetentes ou têm
medo de discordar de sua excelência, tropeça nas próprias pernas e se embanana
com problemas como esses da educação, porque a maioria do pessoal que trabalha
ali também não aceita críticas nem discordâncias e vira esse caos aí que
descamba em episódios ridículos como esses bate bocas aí acontecidos na Câmara
ou na secretaria evolvendo um promotor que queria colaborar e foi tratado como
se estivesse atrapalhando...
Ou porque herdou problemas que não consegue resolver por
incapacidade dele e de sua equipe, ou porque se preocupa demais com as
eleições do ano que vem, administrando com um olho no aqui agora e no mais
adiante ali ano que vem, quando quer mas diz que não quer, impor ao partido
local a candidatura de seu irmão...
A vida é essa dinâmica que é pra que a gente vá aprendendo a
viver e errar menos no dia a dia, ninguém morre por errar e refazer seus passos
quando é necessário, de forma honesta e sincera, sem oba oba ou bajulação, pra
não dar com os burros náguas logo ali na esquina...
O assunto é bom, ótimo, e eu volto em outra oportunidade,
porque já me alonguei demais por hoje, quando deixo pra os companheiros do
partido o seguinte pensamento advertência pra reflexão:
SE O PARTIDO NÃO SE
TOCAR QUE FOI CRIADO PARA ALGO MAIS DO QUE SERVIR PARA ESCADA DE ALPINISMOS
SOCIAIS QUE POSSAM LEVAR AO ENRIQUECIMENTO PESSOAL QUE IGNORA O COLETIVO, NÃO
TEM MAIS DO QUE QUATRO OU CINCO ANOS DE SOBREVIVÊNCIA, SE TIVER...
Eu avisei, essa cobra ainda vai fumar e envenenar os petistas. É bom lembrar que ele esbraveja muito, mas não é coragem não, é fome mesmo. Por favor continuem saciando a fome desse incontrolável comilão. Aguenta PT!!!
ResponderExcluirTão vendo aí...Os caras querem me matar de fome, eu desconfiava e me vêem como se eu fosse uma cobra venenosa que vai fumar e envenenar os petistas, coitados...aguenta, ZAN...! Eu ainda tou dando quatro ou cinco anos de vida pros caras se darem bem, e eles me tratam assim...isso é que eu chamo de ingratidão...rs rs rs...
ResponderExcluirAntigamente o que se via dentro do pt era discussão política, isso quando se tinha tempo pra isso...agora que o tempo do pessoal é cuidar de coisa mais, digamos assim, tangível, chamar pra discutir política é impossível...eu olho pra gente como o jovem Paulo Reis, por exemplo, pra mim um cara que não tem ambição pelo poder como seus pares e cuida mais de se firmar profissionalmente, honestamente, é a esperança pra mim, de que quando no partido as pessoas voltarem a discutir política vão descobrir por onde é que os descaminhos se deram e vão tentar refazer os caminhos que provavelmente vai dar noutra coisa diferente disso que está aí...espero estar vivo pra ver isso...rs rs rs...
ResponderExcluirVocê não é Nostradamus, Maomé, Elias... mas isso de avisar aos detentores do poder em Campo Maior, via PT, que a continuar o modus operandi, que adotaram para gerir a coisa pública tão bem explicitado no post, e que o reinado não dura mais do que quatro se muito cinco anos, eles terão que lhe ver daquí para a frente como um profeta. Que fez uma profecia. O profeta Zan. O risco é eles encararem a coisa como algo que vai acontecer mesmo, partirem para o salvem-se quem puder e aí nós, o povo, os súditos, a Urbi é que vai pagar a conta. E a quem vamos recorrer? Ora pro nobis Santo Antonio!
ResponderExcluirSó peço a Deus que eles não queiram me mandar pras fogueiras da inquisição onde me querem ver passando fome e mendigando migalhas aos seus inimigos caprinos sob suas vistas enlevadas de morbido prazer por eu ter ousado lhes dizer as verdades que eles não dizem uns pros outros pelo menos na cara uns dos outros...
ResponderExcluirPinuca,
ResponderExcluirConcordo plenamente com os seus comentários acima expostos. Sou, oficialmente, filiado ao PT desde de 2009, justamente pela a admiração que nutro pelo grande líder LUIS INÁCIO LULA DA SILVA. Porém, de uns tempos para cá, também tenho constatado a existência de pessoas ou grupinhos que estão se locupletando do poder ora instituído a despeito dos demais companheiros que lutaram para a vitória do partido nos últimos pleitos eleitorais. Eu tenho razão para criticar e manifestar o meu ponto de vista sem qualquer preconceito, pois jamais solicitei qualquer regalia pessoal em troca do meu espontâneo apoio. É a tal mosca azul rondando entre os apaniguados de plantão. É bom lembrar que as andorinhas costumam partir em revoada sempre que as condições climáticas lhes sejam desfavoráveis. Vale, ainda realçar, os exemplos não tão longínquos, de ex-prefeitos que desprezaram os apoios recebidos, ignorando os correligionários, achando-se os tais, que nunca mais conseguiram se eleger a qualquer cargo e hoje vivem em completo ostracismo político. Os que hoje ostentam grandezas e pompas, amanhã, talvez, quem saiba, esse esplendor se acabe e seja-lhes a vida mesquinha. Por isso acho que o PT core grande risco de morrer com o próprio veneno. Sem militância não há partido vitorioso. Um chazinho de semancol é bom e não faz mal. É preciso baixar a bola se quiser continuar no jogo, se não babau.
Dizem os entendidos aí que quando se passa muito tempo no poder e o exercício desse poder se torna quase hegemônico, é natural que hajam rachas e fissuras nesse grupo que está no poder...Agora a coisa não é diferente, ou seja, se não temos adversário ou se ele é muito frágil, vamos brigar entre nós pra ver quem é que é mais forte...eu não tenho mais dúvidas de que esse racha só se acentua a medida que se aproxima a eleição do ano que vem, isso a nível nacional...aqui em campo maior o prefeito paulo martins conseguiu se eleger "chamando" com a promessa de apoio e cargos no priumeiro escalão, quem ele pode chamar pra compor sua base pra se eleger e governar...ano que vem esse grupo já vai começar a rachar porque já se delineiam dois grupos que não vão se entender sobre que candidato apoiar para deputado estadual, por exemplo:enquanto o grupo do raimundo pereira pretende apoiar seu nome, o grupo do prefeito pretende apoiar outro candidato, que pode ser o irmão do próprio prefeito...as cartas já estão na mesa faz é tempo e ninguém esconde mais nada...quais as chances de cada um? Raimundo Pereira tem muito dinheiro e eleição por aqui ainda é ganha por quem tem muito dinheiro...o prefeito Paulo Martins não tem tanto dinheiro, ainda deve muito dinheiro, por sinal, gastos nas últimas campanhas em que se elegeu com uma "ajudinha" dos amigo...comprar voto aqui virou uma coisa tão corriqueira que ninguém mais fica virando noite tentando flagrar o adversário com a mão no bolso, é tudo feito à luz do dia mesmo no maior descaramento, os candidatos a vereador que foram os mais votados na última eleição gastaram dinhjeiro aos montes..
ResponderExcluirPareço vislumbrar novas oligarquias, agora das esquerdas. Oligarquias foram tão criticadas (quando eram de outras famílias). Mas é assim mesmo: quem é que olha para o seu próprio...?
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