sábado, 20 de abril de 2013

Mestre Raimundo Pires... de repente encontro sentado numa cadeira na antiga rua do Sol...

...numa manhã ensolarada de domingo, vou passando pela antiga rua do Sol ou da Lagoa, no trecho que hoje se chama Emiliano Andrade e vejo aquele cidadão ali sentado, vou me aproximando e reconhecendo uma pessoa que fez parte de minha infância: mestre Raimundo Pires, marceneiro de profissão e jogador de futebol nas horas vagas...isso há muitos anos, isso num pedaço de minha infância que eu puxo conversa pra relembrar depois que entro na casinha dele e pego uma cadeira e me sento ao lado dele na calçadinha estreita...Mestre Pires está com 85 anos e tem dificuldades pra andar, mas a mente ainda é capaz de se lembrar de cenas de minha infância que eu havia esquecido: quando o Comercial fazia um gol eu saia rolando pelo chão, dando pulos e cambalhotas, fazendo todo mundo rir da cena... Mestre Pires nessa época era só Pires, um center-half ou quarto-zagueiro do tempo de Angelo, Gonzaguinha, Manuca, Daniel, Antonio Pedro, Antonio Murilo, Sérvulo, Chico Catita, João Catita, Edim Catita, ZéArlindo, o time do azulão que ainda hoje eu me lembro e sinto saudade...  Pires me lembra da primeira e grande derrota que o Comercial sofreu para o Caiçara, um 5 a 2, que me fez ser levado pra casa nos braços dos amigos do meu pai, que era presidente do Caiçara, chorando inconsolavelmente, eu era um menino de meus oito oito, dez anos, mas magro como um menino de cinco ou seis... Pires havia saído do Comercial por conta de um desentendimento por causa de uma viagem pra Crateús, com o presidente do clube da época, Antonio Rufino, tabelião que deixou uma prole que ainda está por aí: Carlos Rufino, Berto, ZéSarto, Miriam e muitos outros que me escapam os nomes agora...Antonio Rufino era uma pessoa maravilhosa, mas aqui e ali era meio intransigente com os atletas... Quando souberam que Pires havia saído do Comercial, isso em 1956, os dirigentes do Caiçara foram atrás de Pires, Chico Barros, Antonio José Caracas, de pronto acolheram aquela preciosidade que no esplendor dos seus vinte e seis, vinte e sete anos, esbanjava talento e vigor ali pelo meio campo...  Pires era um dos meus ídolos do Comercial de então...Quando soube que tinha ido pro Caiçara, fiquei muito triste... Quando vi Pires fazendo o que fez naquele 5 a 2 contra o meu time, eu tive vontade de morrer... Eu ainda vou escrever algo sobre esse jogo como escrevem as pessoas que estavam no Maracanã naquele dia em que o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai... Aquilo foi o primeiro grande sofrimento meu por causa de futebol...Mestre Pires ainda me conta mais detalhes de sua vida e de sua vida como jogador, mas isso eu conto pra vocês em outra oportunidade...É sábado, dia de ir no mercado, procurar por um bolo frito, um cuscuz, uma tapioca, um mingau maranhense, porque essa semana foi desgastante demais e eu preciso refazer as energia que semana que vem tem que começar a fazer o terceiro número do Surubim News...

2 comentários:

  1. Que relato emocionante amigo Zan. Quantos Srs. Pires sobrevivem no anonímia neste velho Campo Maior, que de certa forma contribuíram para o crescimento da cidade, lembro do meu pai com seus 84 anos deficiente visual sentado na cadeira lá na sua casa no bairro matadouro, mas de uma memória invejável. Aos nossos velhinhos campomaiorenses longos anos de vida.



    hlima/sp

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  2. Eu me recordo de que o Mestre Pires foi o carpinteiro contratado para fazer a mesa de ping-pong (atualmente, tênis de mesa) do Centro Estudantal Campomaiorense, final da década de 60, do qual fui Secretário-Geral e, posteriormente, com as renúncias do Presidente e do Vice-Presidente (meus amigos Herculano e Ferreirinha, pela ordem), exerci, por curto tempo, a presidência, até que se realizasse o pleito eleitoral que constituiria a nova direção da entidade. Uma obra primorosa do Mestre, digna do trabalho de qualquer fábrica formal.

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